domingo, 24 de maio de 2026

MANIFESTO CÍRCULO DE ESTUDOS ENCONTROS DAS ÁGUAS

 O Círculo de Estudos Encontro das Águas é um ponto de convergência para formação ética, pólítica, estética e ecológica por meio de debates, relatos, leituras, performances e demais manifestações artísticos culturais com o objetivo de gerar ações e dar as bases teórico metodológicas para criação de mecanismos de mobilização permanente, autossuficientes e autoreguladores a partir de estruturas de crítica e autocrítica. Corrigindo falhas e desvios individuais  por meio de análises e ações coletivas na busca e pesquisa de formas mais inteligentes para exercer o bem viver.

O livre desenvolvimento de cada um será a CONDIÇÃO do desenvolvimento de todos. - Nadejda Krupskaia
Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.- Paulo Freire

Fotografia tirada em Angicos (RN) em 1963, quando cerca de 300 trabalhadores, após 40 horas de estudo, foram alfabetizados.
 

 



MANIFESTO VOZ E VISÃO




Agência multimídia independente fundamentada dentro do modelo associatArTIVISTA de gestão, onde congregam grupos de artistas em torno de produções com foco em documentação, imersão, experiência, produções artísticas e afins acerca dos modos de ser e de viver que compõe e compreendem de alguma forma a contemporaneidade; ou que de algum modo influenciam a partir de fenômenos sociais coletivos e individuais dentro de pesquisas que busquem demonstrar e traduzir as diferentes formas de como a dimensão da consciência humana trata conceitos éticos, estéticos, políticos e ecológicos.

Dentro de uma perspectiva ecosófica compreendemos que a natureza e os seres humanos fazem parte do mesmo ecossistema comunicativo, propondo assim, discussões entre meio ambiente e filosofia. Todavia, devido as capacidades cognitivas humanas torna-se possível fazer essa abordagem dentro do campo da semiótica, o que por consequência nos permite migrar para além dos territórios meramente filosóficos adentrando o mundo da linguagem e suas potencialidades, e por meio do uso de técnicas e tecnologias, resultados das “trocas” informativas/laborativas que obtemos em composição com artistas, arte e artefatos criam-se os registros audiovisuais que compõe o acervo da produtora.

A escolha do nome Voz e Visão é uma referência ao livro esotérico: A visão e a voz (liber 418, onde Aleister Crowley em sua escrita profética, relata sobre estarmos vivendo uma espécie de apocalipse, e nestes tempos de revelações apenas quem domina a linguagem angelical irá sobreviver, linguagem esta baseada na visão e na voz. E de um modo mais literal compreendemos que os mecanismos tecnológicos da difusão de informação, seja cinema ou simplesmente mensagens na internet, são de fato a linguagem angelical desses tempos apocalípticos, e cabe que iniciativas alternativas aos modos de produção vigente, deem novos rumos a essa linguagem criando novas falas para serem entoadas por esses anjos de silício e tantos outros minerais que foram drenados do coração da Terra para criar nossos meios de comunicação modernos.

Em prol da evolução da consciência e do desenvolvimento biopsicossocial, por meio de dinâmicas de trabalho horizontalizadas, que propõe o trabalho como um benefício não apenas aos envolvidos no projeto, mas visando que o valor dessa produção sempre seja algo que possa ser compartilhado com toda a humanidade e os demais seres que habitam esse planeta.

Voz e Visão é uma produtora de conteúdo emancipador. Promovemos ações que busquem examinar as questões em sua causa raiz, com um forte trabalho de pesquisa sociológica, análise social e micropolítica; baseada nos princípios ecosóficos que buscam traduzir para uma linguagem “formal” e “visual” o que os xamãs já compreendem a milênios estando em coexistência com a natureza, questão está essencial para qualquer tipo de empreendimento, ou mesmo para uma simples perspectiva de vida, que vida terá quem está nascendo hoje? Não pensamos nisso maior parte do tempo, mas essa deveria ser a questão essencial para todo ser vivo. A espécie humana se coloca em uma posição tão elevada na roda da vida que usa do seu direito autoconcedido para viver como se não possível o fim dos recursos naturais, e hoje independente de seu posicionado político, dos seus sonhos futuros, e dos seus planos de um modo geral, algo está diante de tudo, e se cada ação não for em prol de novas formas de viver e estar nesse planeta, tudo o que planejamos não acontecerá.

Não pensamos como aqueles que desejam colonizar os planetas vizinhos, queremos aprender e compreender melhor este que vivemos, somos seus filhos e acreditamos que antes de fazer nossas gravações é necessário primeiro ter o cenário. E acreditamos que para dispor desse lindo cenário terráqueo, é urgente a disseminação de uma informação rica em conteúdo pragmático que busque uma tradução universal capaz de comunicar as medidas necessárias para estabilização do mundo, pois o mais importante nesse momento é o que faremos a partir agora, não temos nenhum tempo além do presente.

Hoje muitas coisas parecem ser irreversíveis, e algumas delas de fato são, estamos perdendo espécies de todas as formas, nunca mais teremos o mesmo mundo que um dia habitou essa Terra, e mudanças são comuns, naturais, todavia, é importante buscar uma tônica mais elevada acerca do que pode ser a vida, não está derrocada atual que muitos vivem como se a vida não pudesse ser mais do que temos hoje.

No entanto, isto não é uma tarefa que se executa apenas no campo ideológico é necessário usar as ferramentas semióticas, além das técnicas mais avançadas do conhecimento, da internet, da comunicação; fazendo do conceito de tecnologia da informação, a chave para uma espécie de clarividência emocional que nos permitirá adentrar dimensões e frequências mais sociais e afetuosas em nossa jornada evolutiva rumo ao um segundo passo nessa nova compreensão da revolução cognitiva. Que pelo acordar da consciência nos fez sentir a Terra e nossos corações ligados a ela.

LINK DO SITE: https://vozevisao.wordpress.com/

MANIFESTO A NOVA CONFEDERAÇÃO DO RIO NEGRO

 

“Esta terra é minha, esta terra é nossa!” Após bradar essa frase, o cacique Ajuricaba, que havia sido amordaçado pelos colonizadores portugueses, lança-se nas águas do Rio Negro, desaparecendo para sempre.

A aldeia Manaós está destruída, toda a Confederação do Rio Negro está dispersa e com muitas baixas, a floresta está em chamas e, mais uma vez, o inimigo venceu. E assim nossa narrativa histórica se encerra. No entanto, este não é o fim de nossa história; é apenas um capítulo, no qual me arrisco a dizer — contrapondo-me à visão histórica derrotista empregada à campanha de Ajuricaba — que, nesta empreitada, não sofremos uma derrota, mas sim uma vitória, pois nem todas as conquistas são feitas de resultados imediatos e facilmente mensuráveis, e longo prazo, a única conquista realmente valiosa é estar do lado certo da história, o lado daqueles que não apenas proclamam, mas que vivem e resistem em nome da justiça. Neste capítulo da vasta história amazônica, nosso povo se une em nome de um ideal comum: a liberdade. 

Nosso povo, que outrora guerreava disperso, naquele momento deixou razões étnicas e territoriais de lado por algo muito mais importante e que só poderia ser conquistado de forma coletiva. Naquele momento, a Amazônia mostra do que é feita, mostra que não se rende, que prefere a morte à escravidão e que sua floresta é capaz de parir heróis e heroinas, pois aquele que é capaz de sobreviver nessas terras sagradas não se entrega a subornos nem escolhe o caminho mais fácil.

Somos amazônidas e devemos agir como tal. Pois o colonizador ainda espreita e, de forma parasitária, e hoje em dia ainda mais sofisticada, ainda se nutre de nossas riquezas e nossa força de trabalho, nos cerca com suas propagandas, nos escraviza com ares de modernidade, tira nossa identidade e nos torna marginalizados, nos tratando como imigrantes refugiados dentro de nosso próprio país. Como se o nosso verdadeiro país se chamasse Atraso e como habitantes de lá só nos resta a submissão, a obediência cega em nome de manter a harmonia desse sistema que a todo momento sacrifica um de nós para continuar gerando lucro para os descendentes dos saqueadores que chegaram em caravelas e depois todo tipo de embarcação, transporte até o momento que essa terra também se tornasse o berço de uma corja de parasitas e seus lacaios fieis que hoje usando terno e gravata gerem o sofisticado mercado de escravos moderno fascista e neoliberal.

Mas,está na hora de apenas Ajuricaba emergir das águas escuras; mas todo o sentimento e ação que originou Confederação do Rio Negro! Em defesa de nossos Rios Sagrados subiremos em canoas e avançaremos com todo tipo de transporte e por todos os meios nos poremos à batalha. 

Sabemos que nossa luta inicia-se no campo interior durante o processo de reencontro com o coletivo. Por isso, engajados na procura de nossa identidade, buscamos o conhecimento, a formação e a participação política ativa e decisiva. Nossos valores se expressam por nossa cultura e nossas ações, que não se prende a barreiras cronológicas e territoriais, pois, como os antropófagos revolucionários de 1922, temos como proposta o universalismo cultural como meio de redescobrimento de nós mesmos. Pois, assim como a Confederação do Rio Negro não aceitou a escravidão e Angola Janga (Quilombo dos Palmares) não permitiu um “acordo” de “liberdade” em troca de que seus irmãos negros voltassem às senzalas, temos a compreensão que apenas quando não houver mais nenhum escravizado é que seremos verdadeiramente livres.

Lutamos pelo fim de todas as formas de opressão, nosso pensamento é internacionalista, não limitado a fronteiras, sejam elas terrestres, marítimas ou, muito menos, imaginárias. Acreditamos que todos fazemos parte da mesma família chamada humanidade; porém, sabemos que devemos honrar o solo que pisamos e a vida que nos rodeia e para isso combater todos os inimigos externos a nossa causa e principalmente os internos que se manifestam nos mais diversos desvios que distorcem o potencial coletivo da humanidade em luta desenfreada pela satisfação individual, seja na busca do prazer terreno proporcionado pelo dinheiro ou na promessa do prazer eterno do pós morte cristão.

E para que não sejamos apenas mais um joguete nas mãos dos poderosos, é necessário, primeiramente, armar-se com o conhecimento, não aceitar mais viver no senso comum, deixar de lado paradigmas e opiniões vazias e passar a usar do conhecimento e propriamente do acúmulo do conhecimento como as bases organizativas da resistência frente ao sistema capitalista, fazendo da teoria a luz que ilumina o caminho da ação.

“Esta terra é minha, esta terra é nossa!”.

Por nossos territórios, por nossos corpos e nossas memórias. Ergo a Nova Confederação do Rio Negro.


Lucas Ultracultura - Artevista, Escrevedor, Xamã Urbano, Revolucionário e Idealizador do movimento a Nova Confederação do Rio Negro.

 

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